Lynyrd Skynyrd | Monsters of Rock 2026 (SP)

Tradição, respeito e legado por um dos maiores nomes do rock

Texto por: Pedro Delgado (Rato de Show) - @ratodeshow

Fotos por: Ricardo Matsukawa


Agradecimentos: Mercury Concerts e Catto Comunicação


E finalmente entramos em nossa reta final! Com a luz do dia e a chuva para trás, o início da noite foi criando a antecipação não só pelo grande headliner do Monsters of Rock, mas também a apresentação de uma banda que sim, não faz tanto tempo desde seu último passeio por nossas terras, mas que certamente, toda vez em que pisam, é certeza de um grande momento.


Será que os músicos fizeram jus ao peso do nome que carregam? Confira a resposta logo abaixo!


E antes que eu me esqueça, se você for do tipo que sente preguiça de ler, recomendamos nossa resenha em live feita com o parceiro Porque!Metal, junto aos queridos Marcos (After do Caos) e Gabriel Buxini (Emphuria).

Assim como o show do Malmsteen, o Lynyrd Skynyrd se iniciou antes mesmo dos músicos alcançarem o palco. Isso porque o grande globo disco sendo içado para a parte superior da estrutura do palco já denunciava que muito provavelmente não iríamos embora dali sem antes nos sentirmos em uma verdadeira festa. Dito e feito.


Para muitos, uma banda com "peso" suficiente para serem os próprios headliners, a história do Lynyrd Skynyrd, que se inicia já para o fim dos anos 70, é marcada por diversas alegrias, conquistas, hits, mas também de muitas perdas. Acidentes, doenças e hiatos, certamente uma banda que nem precisa de introdução, tamanha sua potência e músicas que cruzam as gerações, sendo utilizadas até hoje pelas mais diversas plataformas multimídia.


Mas na falta de uma intro, aqui vai um alerta: não tem nada mais cretino do que tentar resumir toda a representatividade desta banda como um "cover de luxo". Mas como assim? Você pode perguntar... Pois é, fato é que, mesmo tendo no capitaneamento de suas fileiras figuras como Johnny Van Zant, irmão mais novo do fundador, falecido e intergalático Ronnie Van Zant, que desde 1987 assumiu o manto após a passagem de seu irmão, abruptamente no fatídico acidente de avião de 77, após a morte do último membro fundador, Gary Rossington, em 2023, para muitos, a banda "morreu ali".


O contexto importa. A intencionalidade por trás de cada música, das homenagens e o respeito que é sentido a cada segundo, ao mesmo tempo que a continuidade, o carregar a tocha que mostra que a banda vive em um estado contínuo de relembrar e celebrar o passado, ao mesmo tempo que produzindo e estendendo um nome gigante que certamente não irá se apagar. Algo que certamente vivenciamos no decorrer da apresentação. E que apresentação!

lynyrd skynyrd no monsters of rock

Muito além do impacto visual de se ter nove pessoas em cima do palco, é se dar conta da absurda qualidade de cada um, que fez daquele momento um estilo de apresentação que realmente se destoa do resto. Com Damon Johnson, Mark Matejka e Rickey Medlocke nas guitarras, Robbie Harrington no baixo, Michael Cartellone na bateria, Peter Keys nos teclados/piano, Carol Chase e Stacy Michelle nos backing vocals e Johnny nos vocais, a entrada da banda já começava emocionante com o vídeo que rolou no telão, contando brevemente a história da banda, seu legado e membros, já fazendo da entrada uma completa reverência ao passado.


Quando o vídeo terminou e o logo da banda surgiu, "Workin' for MCA" começou a tocar, abrindo com estilo e pompa o show. Tivemos uma sequência de tirar o fôlego, entre "What's Your Name", "That Smell", "Gimme Back My Bullets", "Saturday Night Special" e outras que, para muitos, até podem soar como um "lado B" da banda, mas que são tão importantes quanto e que certamente caíram no gosto do público.


Guitarras que parecem que têm vida própria, aquele ritmo de bateria e baixo dançantes, teclados rápidos e que elevam toda a cozinha... Tudo isso envelopado ainda por vozes femininas naquele estilo country/blues que, em contraponto à voz do frontman em refrões fáceis e divertidos, trazem tantas camadas quanto os espectros de cores e suas variantes.

lynyrd skynyrd no monsters of rock 2026

Impossível não se deixar levar apenas pelo som e se fantasiar por rodovias em uma aventura, ou em um bar com um bom copo de whiskey em mãos.


E não é só no departamento do som que a banda brilhava. Pois o carisma estava ali também. Interações constantes com o público. Johnny arremessando bonés para a "Skynyrd Nation" (como chamam os fãs), naquele sotaquezinho típico do sul americano que sim, confesso em alguns momentos quase ser cringe, vide o tanto de "Deus Abençoe os Estados Unidos e o Brasil" que ele viria a repetir durante a apresentação, mas sendo uma banda tão tradicional e que traz em suas músicas esse senso do homem simples, do trabalhador e do sonhador americano, é inevitável não esbarrar nesse senso nacionalista que acabamos por ter contato apenas através do que Hollywood produz.


Mas foi ali, para um pouco depois da metade, que o show separou as crianças dos adultos.


Isso porque dali em diante foi só porradaria.

lynyrd skynyrd no mosnters of rock

Começando com "Tuesday Gone", música dedicada em homenagem para Gary. Uma ferida com certeza ainda aberta, como todas as outras, que servia quase como uma sessão de catarse coletiva, mas em especial para a banda.


Na sequência, "somente" "Sweet Home Alabama", colocando o estádio já lotado do Allianz Parque ao chão com as primeiras linhas de um dos riffs mais queridos que temos. Uma música especialmente necessária nos dias caóticos de hoje, que nos faz lembrar e nos ancora nas coisas que realmente importam. Na simplicidade que a vida pode e deve ter e nos valores e integridade de que não se pode abrir mão. Faz até ser revelável - novamente - o elemento ligeiramente aleatório da bandeira dos EUA, junto com a do Brasil e a mescla de ambas que rolava no telão.


Ainda tivemos "Gimme Three Steps" e o delicioso cover de J. J. Cale, "Call Me Mr. Breeze", uma ótima limpeza no paladar para quebrar a nostalgia e emoção e trazer aquela energia do rock-blues, meio swing, dançante que te faz querer requebrar o esqueleto, simplesmente impedindo qualquer um de ficar parado.


Tudo isso também para preparar o público para "Sweet Home Alabama", a música que mesmo não tendo (eu acho) nenhum alabenho ali no meio, por algum motivo fazia você sentir saudades de um lugar que, para a grande maioria ali, nunca foi aventurado.


No fim, talvez seja sobre isso. Honrar sua terra, sua história e vivência através da simplicidade e do amor. Algo que, mesmo a muitos quilômetros de distância, ainda pode conectar e proporcionar identificação que gera justamente esse senso de proximidade, mesmo existindo a barreira da língua e da cultura.

lynyrd skynyrd no monsters of rock

E foi nessa pegada que a banda se despediu e pouco a pouco começou a deixar o palco. O público, no entanto, em puro protesto, não ficou em silêncio. "Free Bird" era a palavra incessantemente pronunciada, que só foi substituída por gritos e urros quando as câmeras apontaram para o feixe de luz que iluminava a águia dourada repousada pelo piano.


Pouco a pouco, os músicos voltavam com tudo para o que seriam os próximos mais de 10 minutos da maior aula musical que se poderia dar. Afinal, era a hora de "Free Bird". A música, por sua vez, era quase como um mini-show dentro do show, não só pelo seu tamanho, mas pelas diferentes camadas que se apresentavam dentro da mesma.


A começar pelo breve curta de intro, seguido dos primeiros acordes do teclado e as imagens no telão mostrando os inícios da banda, toda essa primeira metade da música por si só já se torna épica, ou como muitos dizem para retratar situações ímpares — ainda que utilizando em muitos momentos de maneira exacerbada, mas que aqui cabe — apoteótica.


Até o momento do canto dos passarinhos, com os nomes sob velas dos membros falecidos, a maior demonstração de respeito, de amor e de memória possível. Guiados pelos belos teclados de Keys, somos levados ainda a um momento transcendental, com Johnny repousando o tradicional chapéu de Gary sob a haste do microfone e deixando o palco, dando lugar ao seu irmão, em gravação, cantando a segunda metade da música.


Um momento de pura emoção e de se mexer o coração. E isso é claro, até a música se quebrar no icônico, gigantesco e de tirar o fôlego solo.


Ah, o solo de "Free Bird".


Seja pela música, pelo Guitar Hero, pelos filmes. Um momento de puro êxtase, de viagem musical onde as três guitarras se tornam uma e quase criam uma fenda no espaço-tempo transportando a todos ao que só posso chamar de elevação espiritual. E se não fosse o bastante, o momento derradeiro com os fachos de luz sendo jogados ao globo disco girando, iluminando e dando à cena um quê a mais. Em cores, em arco-íris, em pura vida que simplesmente levou o Allianz abaixo.


Veja que estou tentando fazer o meu melhor em tentar pôr em palavras um momento que, infelizmente, só quem esteve ali sabe do que estou falando.


Um verdadeiro espetáculo, daqueles que logo após é o momento das cortinas se fecharem e de irmos embora. Um gran finale em um momento que ainda não era final. Daqueles que só resta dizer: "Boa sorte" para o que vem depois, porque superar algo como aquilo seria extremamente difícil.


Agora, para saber se o Guns conseguiria este feito, apenas aguardando a parte final de nossa cobertura.


Acesse a cobertura do Extreme clicando aqui.

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lynyrd skynyrd no monsters of rock

Setlist Lynyrd Skynyrd


  1. Workin' for MCA
  2. What's Your Name
  3. That Smell
  4. I Need You
  5. Gimme Back My Bullets
  6. Saturday Night Special
  7. Down South Jukin'
  8. Still Unbroken
  9. The Needle and the Spoon
  10. Tuesday's Gone
  11. Simple Man
  12. Gimme Three Steps
  13. Call Me the Breeze (cover de J.J. Cale)
  14. Sweet Home Alabama
  15. Free Bird 

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