Extreme | Monsters of Rock 2026 (SP)

O momento que colocou todo o público para cantar uma música em uníssono

Texto por: Pedro Delgado (Rato de Show) - @ratodeshow

Fotos por: Ricardo Matsukawa


Agradecimentos: Mercury Concerts e Catto Comunicação


Já nos encaminhando para a reta final, o antepenúltimo show se preparava para iniciar, aproveitando-se da euforia deixada pelo Halestorm, mas tendo também um grande desafio pela frente: o de animar um público que se via preocupado com as intensas gotas de chuva que começavam a cair sobre os cucurutos até então queimados de sol. Felizmente, o ocorrido durou pouco, permitindo aos presentes se concentrarem no espaço à frente e em um show que não passava por nossas bandas há três anos.


Será que o Extreme cumpriu com essa tarefa? Descubra logo abaixo.


E antes que eu me esqueça, se você for do tipo que sente preguiça de ler, recomendamos nossa resenha em live feita com o parceiro Porque!Metal, junto aos queridos Marcos (After do Caos) e Gabriel Buxini (Emphuria).

Uma das mais emblemáticas bandas da década de 90 retornava ao nosso solo, tomando para si novamente o segmento mais “clássico” do festival ao ressoar para o público toda a energia, a vibração e, de certo modo, até a erudição em uma performance do mais puro rock que perdurou por pouco mais de uma hora.


O efeito contagiante do Extreme foi imediato. Desde a entrada dos membros fundadores Pat Badger (baixo), Nuno Bettencourt (guitarra/vocais) e Gary Cherone (vocais), acompanhados também pelo parceiro de já quase 20 anos, Kevin Figueiredo na bateria, logo de cara os constantes gritos em direção ao guitarrista português deixaram claro que, diferentemente da maioria das performances até então, dali em diante estaríamos tratando de bandas com um repertório talvez mais conhecido e celebrado.


Dito e feito: iniciaram com "It (’s a Monster)", do emblemático álbum Extreme II: Pornograffiti (1990), grande responsável por impulsionar a banda ao redor do globo. Imediatamente, era impossível desgrudar os olhos de Gary, que, com o figurino mais estiloso do dia, mostrava toda a malemolência e o espírito jovem no auge de seus 64 anos — correndo, girando, pulando e simplesmente sendo o maior showman em meio à chuva que se intensificava momentaneamente.

extreme no monsters of rock

Seguiram com "Decadence Dance", do mesmo álbum, e "#REBEL", do mais recente SIX (2023), mantendo a energia alta, espantando a chuva (e o friozinho) e fazendo o público levantar os braços com os chifrinhos e vibrar, em sua grande maioria, com aquela boa energia à la hard rock, com Gary se exibindo enquanto girava e apontava para a plateia a haste do microfone.


Outro elemento bem agradável, presente inclusive em diversas músicas da banda, era aquele efeito energético gerado pelos refrões e estrofes em que todos os integrantes cantam juntos, formando aquele clima de rock de arena que é pura diversão.


Quando não movidos por isso, era impossível não ter a atenção capturada pelos riffs e melodias de Nuno, que faz valer seu status como um grande monstro das seis cordas. Cada acorde transmitia vida, intensidade e personalidade, o que, somado aos movimentos do vocalista e às batidas rítmicas da bateria e do baixo, transformava tudo em uma grande festa.

extreme no monsters of rock 2026

Importante, inclusive, ressaltar a qualidade do material mais recente do Extreme, especialmente considerando os grandes espaçamentos que a banda teve entre pausas e hiatos, sendo SIX o primeiro álbum novo em 18 anos. E aqui fica o aviso: a banda já trabalha em material inédito.


Mais vivos do que nunca, o Extreme ainda incendiou a plateia com "Play With Me", única representante do debut auto-intitulado de 1989, que, para além do agito, trouxe acordes com inspiração na música clássica à la Malmsteen. Cherone ainda provocou o público ao puxar a intro de "We Will Rock You", fazendo o estádio inteiro ecoar.


Entre a energia 220V do vocalista, o estilo carismático, porém mais contido do baixista, o sorriso nas viradas e a pegada funky do baterista e o sex appeal e virtuosismo do guitarrista, houve também momentos de comunicação mais direta, principalmente pela proximidade através do português de Portugal de Bettencourt. Foram poucos, mas suficientes para alegrar o público com o carinho e a genuinidade da interação banda–plateia.

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Mas é importante ressaltar um fenômeno curioso. Se, por um lado, os momentos mais intensos, rápidos e divertidos dominavam, por outro, era nos momentos mais cadenciados, quando o violão surgia nas mãos de Nuno, que algo específico acontecia: o levantar dos celulares, antecipando uma única música que parecia roubar a cena de todo o setlist.


O que quero dizer é que, apesar da apresentação ter sido maravilhosa, era como se, rapidamente, tudo aquilo fosse para o fundo da mente de parte do público — talvez os fãs menos ávidos — que pareciam aguardar apenas um único momento. E quando ele chegou, roubou completamente a cena.


O “fenômeno” "More Than Words" é realmente algo curioso. Talvez reflexo das pausas e hiatos da banda, acaba criando a impressão de que sua relevância se resume a uma única música — o que, na teoria, é uma inverdade, mas que, no comportamento do público, se concretiza.


Como pode o fantasma de uma banda ser a sua própria composição?


Uma das músicas mais emblemáticas de uma década — e que ecoa até hoje —, mas que, pelos números nas plataformas, evidencia a disparidade com o restante do acervo. Das 10 músicas mais populares no Spotify do Extreme, três são versões de "More Than Words" (normal, remix e live). E, quando comparado ao segundo lugar “real”, este representa apenas cerca de 3% da soma dessas versões.

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Toda essa matemática (prometo, sem mais contas daqui pra frente) serve para enfatizar que, apesar de um público engajado e presente, havia também uma dispersão na espera coletiva por um momento específico: as cadeiras sendo posicionadas, Nuno pegando o violão — algo que aconteceu em "Midnight Express" e que foi praticamentea um “salci fufu” na galera —, e então, junto a Gary, entregar um coro uníssono junto a milhares de pessoas.


Não posso ser hipócrita. Foi lindo, foi emocionante — especialmente lembrando que, muitos carnavais atrás, ganhei um concurso de karaokê em dupla com minha mãe com essa música. Definitivamente, um dos momentos mais marcantes do Monsters of Rock 2026.


Uma pena, porém, que para muitos esse será o único momento realmente memorável, resumindo toda a apresentação a isso.


Talvez isso não apague completamente o restante da bela performance da banda, mas fica aqui o desejo de que o próximo álbum traga novos hits capazes de expandir essa memória para além de uma única canção.


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Setlist Extreme


  1. It ('s a Monster)
  2. Decadence Dance
  3. #REBEL
  4. Play With Me (com intro de "We Will Rock You", do Queen)
  5. Am I Ever Gonna Change
  6. THICKER THAN BLOOD
  7. Hole Hearted
  8. Midnight Express
  9. Flight of the Wounded Bumblebee
  10. More Than Words
  11. Get the Funk Out
  12. RISE

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