Yngwie Malmsteen | Monsters of Rock 2026 (SP)

Uma intensa aula de shredding que passou despercebida por um público que não se conectou

Texto por: Pedro Delgado (Rato de Show) - @ratodeshow

Fotos por: Ricardo Matsukawa


Agradecimentos: Mercury Concerts e Catto Comunicação


Chegando ao nosso terceiro artista do dia, a animosidade para ouvir uma das lendas da guitarra, Yngwie Malmsteen, começou antes mesmo de ele pisar no palco. Isso porque, durante a preparação, todos fitavam os inúmeros amplificadores Marshall que começaram a ser empilhados ao longo do palco, como quem diz: “se prepara, que o barulho tá vindo”.


O mago dos riffs desde o fim dos anos 70 e início dos 80 — basta estar um pouco dentro da cena do metal para saber — teve seu nome ecoando pela potência, técnica e velocidade insana aplicadas no instrumento de seis cordas, em sua mistura única entre a distorção, o metal e a música neoclássica. Não é difícil encontrá-lo em listas de melhores guitarristas de todos os tempos em diferentes plataformas, justamente pelo reconhecimento e peso global que seu nome carrega.


E como será que foi a apresentação deste “monstro do rock”? Vamos conferir logo abaixo.


E antes que eu me esqueça, se você for do tipo que sente preguiça de ler, recomendamos nossa resenha em live feita com o parceiro Porque!Metal, junto aos queridos Marcos (After do Caos) e Gabriel Buxini (Emphuria).

Entre o público, a sensação era de não haver meio-termo. Ou havia aqueles que conheciam o músico e já sabiam o que esperar de sua performance, ou aqueles que o desconheciam completamente e se mostravam intrigados tanto pelos amplificadores quanto por imaginar qual seria o jeito certo de pronunciar seu nome.


Felizmente, assim como as apresentações anteriores e aquelas ainda por vir, se tem uma coisa que o festival nunca falha é na pontualidade britânica, que mal dá tempo para respirar ou sentir o cansaço. À medida que os relógios marcavam próximo das 13h45, o sueco subiu ao palco junto à sua banda de apoio, composta por Nick Marino nos teclados e vocais, Brian Wilson na bateria e Emi Martinez no baixo.


A própria disposição dos músicos já denotava a quem as atenções seriam dadas — e assim foi desde o primeiro minuto, com a entrada cheia de força junto a "Rising Force", uma de suas principais músicas do disco Odyssey (1988), essencial à obra do músico.


Um teclado sombrio — épico até — antes da batida rítmica rápida dar espaço a uma voz animada, aguda e forte — originalmente feita por Joe Lynn Turner, vocalista com passagem por nomes como Rainbow e Deep Purple — e que foi representada à altura por Nick. Mas não tinha jeito: bastava começarem os riffs, e principalmente os solos, que era como se algo “saltasse” à frente da música, prendendo toda a atenção e ligeiramente jogando o resto para o background. O mais puro shredding.

yngwie malmsteen no monsters of rock

Mas o que foi um começo energético, potente e até carismático — vide as caras e bocas de Malmsteen, somadas aos seus movimentos rápidos e brincadeiras com a guitarra — começou, pouco a pouco, a perder energia frente ao público maior. Isso porque, diferentemente de "Rising Force", boa parte do restante do setlist, assim como do acervo do músico, como em "No Rest for the Wicked", "Into Valhalla", "Far Beyond the Sun" ou até mesmo a poderosa "Black Star", foi uma sessão constante e ininterrupta de puro shredding.


Então, por mais que eu venha a rasgar elogios pela técnica e pela equivalência de Malmsteen a algum grande compositor de tempos passados, conseguindo traduzir a música clássica em linhas de guitarra, tudo isso acaba se perdendo um pouco na medida em que não aparentou ser o bastante para causar uma conexão genuína com o público. Este permaneceu estático, entre os completamente hipnotizados e estupefatos com a técnica e aqueles que olhavam, achavam legal, mas se sentiam estafados.


Não era um problema de músicas ruins — tanto é que não houve vaias —, mas realmente uma questão de distanciamento. Quando o músico tocava com os dentes, arremessava palhetas a torto e a direito e até mesmo puxava riffs lendários como "Bohemian Rhapsody" e "Smoke on the Water", a reação era instantânea e suficiente para reacender a energia da galera. Porém, na ausência desses momentos, era como se o sol forte passasse a chamar mais atenção do que o virtuosismo do guitarrista.

yngwie malmsteen no monsters of rock 2026

O talvez “gênio incompreendido” do Monsters fechou do mesmo jeito que abriu: com potência em "I’ll See the Light Tonight", música que também carrega letras onde, inclusive, o próprio guitarrista impressionou em alguns momentos do set, mostrando que não só nas cordas é hábil, mas que também possui uma voz sólida e competente. Porém, nem mesmo colocando seu roadie à prova ao arremessar a guitarra para que ele a recebesse e ajustasse a afinação provocou tantas reações quanto as bandas anteriores.


Assim como o logo da Ferrari estampado em suas guitarras, ninguém poderia proferir um “ah” sobre a aula dada e a performance gigante que Yngwie Malmsteen entregou ao público presente. Uma pena que, assim como nas aulas online, temos alguns que prestam atenção e talvez uma maioria que fecha a câmera, deixa o som ativo e vai fazer outra coisa, não absorvendo totalmente a matéria ensinada.


Mas será que o cansaço e o decrescer da energia do público estavam fadados a apenas cair? Já adianto que a banda seguinte, ainda que não tivesse um daqueles nomes irreconhecíveis, certamente, ao fim de seu ato, se tornou uma banda que todos sabem o nome.


Uma história que você terá que aguardar para acompanhar na próxima publicação.


Acesse a cobertura do Dirty Honey clicando aqui.

Acesse a cobertura do Jayler clicando aqui.

yngwie malmsteen no monsters of rock

Setlist Yngwie Malmsteen


  1. Rising Force
  2. Top Down, Foot Down
  3. No Rest for the Wicked
  4. Soldier
  5. Into Valhalla
  6. Baroque and Roll
  7. Relentless Fury
  8. Now Your Ships Are Burned
  9. Wolves at the Door
  10. Concerto #4 / Adagio / Far Beyond the Sun / Bohemian Rhapsody
  11. Fire and Ice
  12. Evil Eye
  13. Smoke on the Water (cover de Deep Purple)
  14. Trilogy Suite Op: 5
  15. Overture
  16. Badinerie / Black Star
  17. I'll See the Light Tonight

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