David Draiman defende música com posicionamento político em conversa com Billy Corgan: “deve ser carregada de mensagem”

Vocalista do Disturbed critica postura neutra de artistas e aponta uso político da divisão social

Crédito fotos: Youtube

Adaptado do original via Loudwire


O David Draiman, vocalista do Disturbed, participou do podcast The Magnificent Others, apresentado por Billy Corgan, e abordou diretamente um tema recorrente na indústria: o papel político da música.


Durante a conversa, Corgan levantou a discussão sobre até que ponto artistas devem ou não incorporar posicionamentos políticos em suas obras — especialmente em um cenário atual que, segundo ele, parece mais cauteloso do que décadas anteriores, como os anos 1960.


Draiman respondeu de forma direta:


“Eu acho que músicos devem falar com o coração, não importa qual seja o assunto.”


O vocalista também reforçou a tradição histórica da música como ferramenta de protesto:


“A tradição da música de protesto sempre existiu. Não há razão para que a arte não seja — ou não deva ser — carregada de mensagens intensas. Na verdade, ela absolutamente deveria ser.”


Ao comentar a comparação com o passado, Corgan sugeriu que muitos artistas hoje evitam se posicionar por receio de polarizar o público e sofrer consequências comerciais. Draiman concordou com a leitura, mas foi além:


“Isso não é coragem, é covardia. Você está falando para um eco daquilo que já pensa igual a você… Qual o propósito disso além de todo mundo ficar se parabenizando?”

A conversa também entrou em temas mais amplos da política atual nos Estados Unidos, incluindo o debate sobre imigração e o aumento da presença de agentes federais em cidades do país. Draiman afirmou que sua visão não é totalmente alinhada a um único lado, destacando apoio às forças de segurança, mas também defendendo mudanças no sistema, apontando a necessidade de processos mais rápidos para obtenção de cidadania e criticando o uso recorrente de temas complexos como ferramenta de ataque político:


“Eu queria que as pessoas estivessem pensando mais nisso do que tentando usar cada questão como arma partidária para atacar o outro lado. É isso que eu vejo acontecendo o tempo todo.”


Para o músico, a polarização acaba sendo alimentada de forma intencional:


“As pessoas plantam divisão porque lucram com isso. Elas continuam fazendo isso, se fortalecendo e se enriquecendo.”


A participação de Draiman no podcast reforça uma posição que ele já demonstrou em outras ocasiões: a de que a música pode — e deve — ir além do entretenimento, assumindo também um papel de comentário social, ainda que isso envolva riscos dentro de um cenário cada vez mais polarizado. Porém, a cena também cria debates políticos e de crítica, uma vez que o vocalista, abertamente apoiador de Israel durante os tempos de conflito com a Palestina, chegou a autografar mísseis que foram utilizados em operações, o que gerou um forte cancelamento por parte de diversos artistas e público geral, como  o caso das vaias recebidas durante sua performance no Back to Beginning, festival final de apresentação do Black Sabbath, ocorrido em 2025.

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