Massari Fest (SP)

"No mundo, existem momentos mágicos que não sei como explicar. Coisas que parecem que só existem e acontecem em sonhos, que não são reais. O show do Pigs X7 foi algo assim."

Texto por: Eduardo Domingues (Rato Rodrigues)

Fotos por: Daniel Agapito (Chato de Show) - @dhpito


Agradecimentos: Agência Powerline, Maraty Concerts e Tedesco Mídia


No dia 3 de julho, sexta-feira, rolou a terceira edição do MassariFest, festival com curadoria de Fabio Massari em parceria com a Agência Powerline e a produtora Maraty Concerts. Também rolou parceria com a editora de livros da Powerline, a editora Terreno Estranho, e mais algumas outras. O festival rolou no Fabrique, e contou com um line-up focado em peso e psicodelia, com os nomes brasileiros Firefriend e Macaco Bong, e como banda principal, os britânicos Pigs Pigs Pigs Pigs Pigs Pigs Pigs – ou Pigs X7, para facilitar.


A primeira banda, Firefriend, conta com um rock voltado aos anos 70, com uma leve pegada de stoner. Todos os integrantes são extremamente talentosos, mas o show, para os que não conhecem o projeto, pode parecer parado, por conta de sua proposta mais ancorada no som psicodélico.


A qualidade demonstrada na performance era inegável, mas não foi aquele show tradicionalmente animado, ao invés disso, apresentaram uma experiência quase contemplativa. Atuando desta vez em formato de quarteto, seu som ganhou uma nova profundidade, um “barulho” a mais, que não estava sempre presente enquanto tocavam como trio. Entregaram um set de mais ou menos 40 minutos, e mesmo com esse certo “desânimo”, evidentemente haviam fãs da banda espalhados pela casa.

A segunda apresentação do dia foi da banda Macaco Bong, de Mato Grosso. A banda é totalmente instrumental, e tem um estilo que varia entre stoner, psicodélico, jazz e blues.


O público parecia mais animado durante sua apresentação, e realmente foi bem agradável. Todos os integrantes tem um ótimo carisma, em especial seu fundador, Bruno Kayapy, um dos dois guitarristas do grupo.


Mesmo sendo um show completamente instrumental, não pareceu nem repetitivo nem massante, dando a oportunidade de você dar uma viajada durante as músicas. Tocaram algumas músicas do seu próximo lançamento, e as duas faixas finais, “Corte Seco” e “Hydraulic”, contaram com um peso ainda maior que o resto de seu set, que levou a galera a loucura.


Finalizaram com agradecimentos a todos organizadores pela oportunidade. Após saírem do palco, começaram a ajeitar as coisas para o ato principal, e a animação começou a aumentar ali.


Setlist

  1. Blind Hole
  2. Structural
  3. Breaking Surface
  4. Testa Dura
  5. Kinetic
  6. Slow Punch
  7. Psycho Social
  8. Soul Drop
  9. Corte Seco
  10. Hydraulic

No mundo, existem momentos mágicos que não sei como explicar. Coisas que parecem que só existem e acontecem em sonhos, que não são reais. O show do Pigs X7 foi algo assim.


Já começa com o estilo da banda, que você não diria que todos os caras fazem parte da mesma banda. Tem um faria limer em uma guitarra, um cara que parece que acabou de sair (e descalço) da academia no vocal, um caminhoneiro na bateria, um cara com tanquinho de cerveja no baixo (e descalço também), e por último, um que parece roqueiro mesmo na outra guitarra. Como você diria que cinco caras assim poderiam fazer parte da mesma banda?


E quando a banda começa a tocar os primeiros acordes do “The Wyrm”, do seu álbum mais recente, Death Hilarious, o clima já muda no Fabrique. A banda tem um peso absurdo ao vivo, com a bateria e o baixo fazendo seu corpo até tremer de tanto peso. Pra completar a cena, todos são completamente malucos da cabeça, cada um de seu jeito.

Matthew Baty, vocalista do grupo, aproveitou um momento para se apresentar ao público, que gerou um coro de “PIGS! PIGS! PIGS!”, onde conseguiram dizer o nome da banda inteiro uma única vez. Seguiram, então, com “Ultimate Hammer”, e durante a música, a banda surpreende com sua técnica mais uma vez. Adam Ian Sykes, guitarrista, tem um momento de solo durante a música, e mesmo sendo um solo relativamente complexo, Adam faz parecer que é fácil, mal apresentando algum tipo de esforço ou dificuldade.


O carisma e a presença da banda é absurdo, com todos os integrantes tocando com uma energia e animação difícil de se encontrar em shows hoje em dia, ainda mais de uma banda com uma pegada de stoner que nem o Pigs X7, que te faz pensar em ritmos lentos e maconha. Durante a faixa “Stitches”, por exemplo, Matthew começa a dançar dando pulinhos em uma das partes instrumentais da música.


Após o final da música, ele tirou um tempo pra falar com a plateia, e agradecer a todos. “Nós não somos uma banda grande, não temos uma gravadora grande, não temos muito dinheiro, apenas estamos aqui porque vocês nos queriam aqui, então obrigado”.

Após este agradecimento, a banda retribuiu o amor ao público dando início à faixa “GNT”, que é possivelmente seu maior hit até hoje, já contando com mais 2 milhões de streams no Spotify. A música levou a plateia à loucura, cantando junto com a banda. Acabou até rolando um mosh perto do palco, e mosh em show assim é mosh de maconheiro, que é basicamente uma cena de luta do Matrix, tudo em câmera lenta.


Um pouco mais pra frente no show, ele pegou o microfone para falar novamente com a plateia, e acabou dando um dos comentários mais esquisitos que já vi em algum show. Algum fã na grade havia colocado as mãos no pé de Matthew algumas vezes, o que o levou a chamar a atenção do fã no microfone: “Você continua tocando meu pé. Meu pé pelado. De uma forma não consensual. Tá tudo bem, só peça da próxima vez. Eu vou falar sim, e aí você pode tocar a vontade”.

redd kross

Voltaram aos agradecimentos na sequência, dessa vez dedicados à Powerline e ao Massari, que os trouxeram ao Brasil. E antes de iniciar a próxima música, chamaram um fã para o palco, que estava fazendo aniversário naquele dia, e deram um boné pra ele. Mas ao descer do palco, ele derrubou o microfone na cabeça de outro fã que estava na grade. Em homenagem a ele, então, deram início à música “Collider”, e o microfone que ficava apontado ao prato da bateria caiu também. Todo esse parágrafo aconteceu em um espaço de apenas 6 minutos do show. Eu disse no início que esse show parecia um sonho, não?

Finalizaram o set com a música final de seu álbum mais recente, a “Toecurler”, e realmente é uma música perfeita pra finalizar o show, misturando sintetizadores, vocais agressivos, riffs absurdos, e tudo o que você pode esperar de uma boa música do Pigs X7. Ao final da música, Sam Grant deixou sua guitarra pendurada no teto, (um padrão que coincidentemente se repete nas 3 edições do festival), e a banda saiu do palco.


Eu ainda não consigo acreditar que presenciei este show do início ao fim, e realmente fico feliz de ter presenciado esse evento lindo e insano. Vale cada centavo pago no ingresso.


Setlist

  1. The Wyrm
  2. Mr Medicine
  3. Ultimate Hammer
  4. Detroit
  5. Carousel
  6. Stitches
  7. GNT
  8. World Crust
  9. Big Rig
  10. Blockage
  11. Collider
  12. Toecurler

Galeria de Fotos


Outras coberturas

Cobertura: Redd Kross (SP)
Por Rato Rodrigues 4 de julho de 2026
O show foi excelente, e é certo que irá ficar marcado na memória de todos os presentes ali. Um show histórico para amantes de música, que é aguardado por décadas.
Cobertura: Dale Crover (SP)
Por Eduardo Domingues 3 de julho de 2026
O show foi mágico, e mostra como o público brasileiro está ansioso para um novo show de Melvins em terras brasileiras.
Cobertura: Marcão Britto e Thiago Castanho CBjr (SP)
Por Chato de Show 12 de junho de 2026
Após algumas turnês de sucesso, os guitarristas decidiram simplificar a fórmula e celebrar um dos projetos mais emblemáticos da banda, o CD acústico.
Cobertura: Venerus  (SP)
Por Chato de Show 12 de junho de 2026
Atração da 3ª Semana da Música Italiana mostrou a verdadeira versatilidade da música milanesa contemporânea.
Cobertura: Cult of Fire (SP)
Por Rato de Show 28 de maio de 2026
Uma enorme mesa adornada com estatuetas, incensários, flores e frutas diversas aparecia diante de nós, além de tapeçarias com imagens da deusa Kali.
Cobertura: Vader (SP)
Por Heitor Lamana 26 de maio de 2026
Sob o som da Marcha Imperial, tão épico quanto o tema de John Williams, o Vader fez um show espetacular ao lado da fina leva do metal extremo nacional.
Cobertura: Vapors of Morphine (SP)
Por Rato de Show 23 de maio de 2026
Quando o “mais é mais” se torna a norma, seria a simplicidade o novo diferencial? Ou simplesmente um lugar de constante e natural retorno?
Por Rogério S.M. 18 de maio de 2026
"Um evento histórico que dificilmente sairá da memória dos presentes."
Cobertura: Midnight (SP)
Por Heitor Lamana 16 de maio de 2026
Continuando invicto com sua sequência de vitórias, o Kool Metal Fest permanece sendo o bastião da boa música e defensor do underground, seja ele do estilo que for - do punk ou do metal.