The Adicts (SP)
"The Adicts é inesquecível para a história do punk rock e assim foi seu show em São Paulo para o Adios Amigos em sua despedida. Um espetáculo hipnotizante que marcou gerações e que deixará guardado na memória dos presentes o quanto além de crítico, o punk pode ser bonito e dizer adeus em festa e comemoração de grande estilo."
Texto por: Nat Malini - @eitaqfome
Fotos por: Daniel Agapito (Chato de Show) - @dhpito
Agradecimentos: Powerline Music & Books, Heart Merch e Tedesco Mídia.
Agradecimentos especiais a Roadie Crew pela concessão das imagens.
Por si, turnê de despedida já é um evento especial. E quando é uma turnê de despedida de uma das maiores bandas do punk britânico? Imperdível é o que definiu a “Adios Amigos Tour” da banda The Adicts, que mobilizou São Paulo para o Carioca Club em plena quarta-feira à noite para fazer parte dessa história. A despedida dói, mas também traz a sensação de gratidão ao viver certas experiências.
Para iniciar essa noite memorável, tivemos outro grande nome do punk, dessa vez local, com a banda
Lixonamia. Como diz a própria bandeira estampada com o orgulho, os membros uniformizados com camisetas branca&preta são lenda punk desde 1979. O público 40+ não poupou o pescoço para acompanhar os cabelos brancos do vocalista
Moreno. Sendo o remanescente original da banda, trouxe aos palcos na prática um pedaço da história da cena.
Rogério, Fernando e Bruno também transpiram a essência da banda, mostrando uma dinâmica alinhada que mantém o público atento a cada música. Batendo de frente em seu discurso contra líderes e militares do passado e de hoje, mostrando que o discurso anárquico ainda se faz atual. Direcionando o setlist para o repertório clássico, fomos agraciados com dois pontos altos quando tocaram “Os Punks Também Amam” e a energia de “O Punk Rock Não Morreu” que ressoou na alma da plateia. Afinal foi isso que Lixomania provou, o punk nacional segue vivo e unindo gerações. E mesmo sem stagedive, o aquecimento do mosh não poderia ser melhor.
Supla e os Punks de Boutique deram um spoiler do que viria a seguir, já que o frontman foi revelando seu look em camadas mostrando que o Charada Brasileiro (inclusive música de abertura do set) consegue servir entretenimento, carisma e moda na mesma medida. Carisma que o permitiu soprar um trompete em quase alto e bom som, sem preocupação se as notas eram reproduzidas com precisão. No calor do momento, ninguém pareceu se importar. Em sua performance não faltaram imagens de antigos videoclipes no telão e sua clássica mistura entre português e inglês nas falas e interação com o público. Inclusive se o Supla te perguntasse se você vai transar após o show em plena quarta-feira, você responderia com sinceridade ou só risos nervosos? Pois até isso aconteceu. Entre as músicas autorais e versões “abrasileiradas” de clássicos, fomos surpreendidos com covers de
Ramones,
The 69 Eyes e até
John Lennon
e
Harry Styles. E obviamente,
Billy Idol. Rir de si mesmo é um remédio e uma ótima estratégia de vínculo, então com humor, também recebeu ao palco a participação de
Clemente (Plebe Rude) para a finalização da apresentação. Rápido, quase aleatório e com jeitinho único,
Papito
já deixou o sorriso no rosto do público para o que viria a seguir.
Casa lotada e horário perto do headliner, oficina da ansiedade. Os punks de diferentes gerações se misturam na multidão que quer passar e chegar próximo ao palco. Chamam pela banda, gritam a qualquer movimentação de roadies e técnicos de som que passam pelo palco. Tudo é um grande sinal do que vem aí. E quando veio…
Já peço desculpas por começar este parágrafo fazendo uma comparação, afinal, toda comparação é injusta. Mas o frontman do
The Adicts,
Monkey Dee
é basicamente o nosso
Ney Matogrosso do punk britânico. Porém estou me adiantando. Com uma introdução de trilha sonora do filme Laranja Mecânica, que também é referência para a estética visual da banda. Abrindo com “Let’s Go” a potência da voz do público tremeu o
Carioca. Se mal dava pra ouvir a banda, também mal conseguíamos tirar os olhos do palco com a roupa belíssima de asas e ternos brilhantes acompanhados de papéis holográficos na mesma paleta de cores, jogados ao alto. Inclusive os looks em camadas de roupa que foram sendo tiradas, transformadas, rasgadas e até jogadas na plateia também são uma obra de arte à parte.
Com a clássica maquiagem já derretendo pela segunda música, Monkey Dee é o tipo de vocalista que canta com o corpo todo. Interpreta e dança, faz caras e bocas e traduz na performance toda honestidade e significado das letras que está cantando. Mas toda a teatralidade não para por aí, já que o show foi repleto de faixas coloridas, papéis coloridos, corações gigantes, entre outros componentes visuais que enchiam os olhos e deixavam a presença de palco dos integrantes ainda mais marcante. Tocando um clássico após o outro, foi quase impossível qualquer momento de silêncio durante todo o show. O carisma de
Pete Dee, também um dos fundadores da banda, facilitou a interação com o público, principalmente quando ouvimos um gratificante “que bom estar de volta”.
Como o punk também pode ser romântico e falar sobre o amor, afinal amar também é político, muitos corações forem entregues à platéia ao som de “I Am Yours”. Um coração gigante também passou pelas cabeças que acompanhavam qual seria a próxima surpresa visual condizente com o repertório. Que diga-se de passagem, foi uma caneca inflável gigante que foi preenchida com bebida alcoólica ali mesmo com a clássica “Who Spilt My Beer?”. Mas nada se compara aos dois momentos de auge da energia do público quando os primeiros acordes dos clássicos “Steamroller” e “Viva La Revolution” chegaram às caixas de som. Um coro retumbante e uma roda punk mais viva do que nunca, prova que todos que estavam ali sabiam que era uma despedida mais do que digna.
The Adicts é inesquecível para a história do punk rock e assim foi seu show em São Paulo para o Adios Amigos em sua despedida. Um espetáculo hipnotizante que marcou gerações e que deixará guardado na memória dos presentes o quanto além de crítico, o punk pode ser bonito e dizer adeus em festa e comemoração de grande estilo.
Apenas com pequenos atrasos e a falta de espaço para os fotógrafos como defeitos, até uma noite de quarta-feira pode ser bem vivida e guardada com carinho por gerações que tiveram o privilégio dessa oportunidade.

Setlist The Adicts
- Let’s Go
- Joker in the Pack
- Horrorshow
- Tango
- Don’t Exploit Me
- Johnny Was a Soldier
- How Sad
- 4321
- Numbers
- Troubadour
- I Am Yours
- Angel
- Telepathic People
- Daydreamers Night
- Fucked Up World
- You’re All Fools
- Rockin' Wrecker
- The Odd Couple
- My Baby Got Run Over by a Steamroller
- Just Like Me
- Who Spilt My Beer?
- Fuck It Up
- Crazy
- Chinese Takeaway
- Bad Boy
- Viva la revolution
- You’ll Never Walk Alone (cover de Rodgers & Hammerstein)
Não foi possível confirmar os setlists da Lixomania e Supla até o momento.














