O motivo por trás da ausência dos Misfits nos shows solos do Doyle
Com apresentação marcada para o dia 30 deste mês, repertório do guitarrista contempla apenas seus discos como “Doyle”, sem Misfits
Crédito foto: Jeremy Saffer
Ele simplesmente não quer mais tocar músicas dos outros. Simples assim. Espera, tem mais, ele mesmo explica o motivo, vamos falar disso, mas o cerne da questão é esse… É praticamente impossível ser ligado em rock, punk e metal e não conhecer - ao menos por nome - o Misfits. Tendo praticamente aperfeiçoado a fórmula do horror punk nos anos 80, são poucas as bandas que com tão poucos discos conseguiram ter tanto impacto quanto eles. Seja na fase Danzig ou no tão controverso retorno com o Michale Graves, é inegável que conseguiram emplacar uma quantidade anormal de hits ao longo de sua carreira.
Desde sua saída dos Misfits (depois retornando para apresentações pontuais com o “The Original Misfits” a partir de 2017), o Doyle tem excursionado o mundo com diversos projetos, seja sua primeira banda, a Gorgeous Frankenstein, ou a fase atual de sua carreira, tocando apenas como Doyle. Quando ele veio ao Brasil pela primeira vez (sozinho), no Oxigênio Festival de 2022 (em uma passagem turbulenta por diversas razões), muitos fãs ficaram surpresos com a ausência dos clássicos de sua banda posterior no repertório, sem entender o intuito de “ignorar” a fase de sua carreira que o tornou conhecido. Porém, vale ressaltar que essa “falta” não é nada novo.
Até nos shows finais da Gorgeous Frankenstein (que depois se tornaria só Doyle), que estava em turnê conjunta com o Danzig - que, por sinal, também estava fazendo um setlist sem Misfits, seu foco era nas faixas que viriam a ser de Abominator. Houve, sim, casos de shows anteriores com covers, mas foram ou datas comemorativas, ou participações especiais do Michale Graves.
Por muito tempo, os shows do Doyle (agora sim, como Doyle), contavam com músicas pontuais do Misfits, mas o foco sempre foi o Abominator, primeiro disco. A última vez que foram executadas faixas anteriores à carreira solo foi durante a turnê de 2017, mesmo ano em que foi lançado As We Die, segundo disco da carreira solo.
O guitarrista sempre foi focado no futuro, sem querer remoer o passado, sem ficar parado no mesmo lugar. Quando questionado pelo site IconVsIcon em 2018 sobre a composição de um terceiro disco, respondeu:
“Sempre que não estou fazendo um show, estou tocando guitarra e tentando compor algo. Qual o sentido de eu tocar as músicas dos outros discos? Nenhum, entende? Temos pelo menos 10 composições musicais sólidas e três músicas já finalizadas.”
Outro fator citado por ele foi se promover no cenário atual. À LoudHailer, no mesmo ano, disse:
“O desafio é a promoção, porque uma gravadora ajuda a divulgar e a divulgar que eu tenho uma banda. Estou no Instagram e metade das pessoas nem sabe que eu toco em uma banda, mesmo que a maioria das fotos seja minha com uma guitarra. As pessoas simplesmente não prestam atenção. Eu diria que 70% dos fãs do Misfits nem sabem que eu tenho uma banda.”
Em conversa com a Legendary Rock Interviews após o lançamento do primeiro álbum, em 2013, ele também chegou a criticar o conceito de um “legacy artist” e (de certa forma) rejeitar os holofotes de sua própria banda, enaltecendo a participação de seu vocalista, Alex Story:
“Não, eu não ligo. Meu pé está no traseiro dele, empurrando-o para a frente, ele é o vocalista, e ele é o vocalista por um motivo. Quando você pensa em uma banda, em quem você pensa? Você pensa no vocalista. Há uma ou duas bandas em que você pensa no guitarrista ou em outra pessoa, Van Halen é a única que me vem à mente, e isso porque leva o nome dele.”
A própria ideia de largar o nome antigo e passar a fazer turnês como Doyle nem veio do próprio Doyle:
“Curiosamente, foi o Alex quem deu o nome à banda. Não fui eu que escolhi esse nome. Um dia, enquanto eu dirigia, exatamente no mesmo lugar onde eu tinha falado sobre Abominator, ele me mandou uma mensagem dizendo: ‘Ei, tive uma ideia que quero compartilhar com você, me liga’.”
Ao todo, uma coisa fica clara: o foco do Doyle é no aqui e agora. Ele não quer ficar preso ao que já aconteceu, não quer ser conhecido para sempre como “o cara do Misfits”, mas sim como “o Doyle”. Agora, ele chega no Brasil para um show único (tocando seu repertório solo) no final do mês, confira:
SERVIÇO - DOYLE EM SÃO PAULO
Data: 30 de abril de 2026
Horário: 19h (abertura da casa)
Local: Cine Joia
Endereço: praça Carlos Gomes, 82 - Liberdade, São Paulo - SP
Ingresso: fastix.com.br/events/doyle-misfits-em-sao-paulo
Valores:
Pista (1º lote)
Meia Estudante e Meia Solidária para não estudantes (doe um kilo de alimento na entrada da casa no dia do evento e pague meia entrada: R$ 180,00
Inteira: R$ 360,00
Camarote (1º lote)
Meia Estudante e Meia Solidária para não estudantes (doe um kilo de alimento na entrada da casa no dia do evento e pague meia entrada: R$ 230,00
Inteira: R$ 460,00

