limmbo transforma medo da morte e sonhos frustrados no single “wandering ghost”
Faixa mais pesada da carreira do artista santista chega pela Casalago Records e antecipa seu próximo álbum
Crédito foto: Giovanna Barbosa
via Tedesco Mídia
Em meados de 2022, depois da reclusão imposta pela pandemia e pouco tempo após lançar seu primeiro álbum, o santista limmbo atravessou um período em que jurava, sem razão aparente, que poderia morrer a qualquer instante. Desse medo nasceu “wandering ghost”, um fantasma andarilho que vaga carregando insatisfações e sonhos não realizados, a figura em que o músico imaginava se transformar caso partisse de repente.
Guardada por quatro anos, a canção chega ao streaming neste 13 de outubro como o segundo single de limmbo (@limmbo2001) pela Casalago Records.
A faixa avança a divulgação do álbum em construção, ainda sem data anunciada.
Fantasma errante
A letra trata do medo de passar pela vida sem realizar os sonhos e de partir carregando o peso das frustrações. Nos versos, uma dor de cabeça interminável, noites sem ar e sonhos de queda se misturam a uma ansiedade que insiste em anunciar o fim. No refrão, o sol nasce, a voz engasga e outra oportunidade se perde. Quando o relógio marca meia-noite, resta remoer o tempo que ainda sobra.
“Sempre fui muito sonhador e admiro muito isso na minha pessoa, porque sei que é o que me move pelo mundo”, afirma limmbo.
“Todavia, chegar na fase adulta testa muitos dos nossos desejos. Unindo isso às dificuldades inerentes de viver da arte, principalmente no país em que vivemos e com as projeções do cenário político atual, persistir nesse caminho é constantemente desestimulante e desafiador.”
A ponte devolve a questão sem resolvê-la: “Eu não deveria dar tudo de mim agora? Todo o meu coração, corpo e alma?”. Segundo o artista, a música não procura dar argumentos, e sim voz a essas constatações, nas quais outros artistas e qualquer pessoa diante de uma encruzilhada podem se reconhecer.
Mais peso
“wandering ghost” traz a sonoridade mais pesada da carreira de limmbo até aqui. Guitarras distorcidas, riffs em primeiro plano e uma bateria mais forte conduzem a um refrão de vocais rasgados, preenchido por linhas flutuantes de sintetizador.
Os versos, mais leves e íntimos, criam o contraste e a dinâmica da faixa, que tem como referência os trabalhos mais pesados de Fresno e Paramore. Essa densidade, sonora e lírica, vai permear muitos momentos do próximo disco.
Enzo Santana Borges assina composição, produção, guitarra, baixo, violão, vocais, mixagem e masterização. Toda a gravação ocorreu em seu home studio, com equipamentos caseiros e sob a referência da cultura DIY. Os vocais do refrão foram o maior desafio do processo.
A capa mantém a estética em preto e branco do single anterior. Na fotografia de Giovanna Barbosa, também responsável pela maquiagem, a manipulação da velocidade do obturador cria figuras borradas em movimento e reforça o tom fantasmagórico desse “lugar-não lugar”.
A direção artística e o figurino são de Enzo Borges. O lançamento também ganha um lyric video.
Do quarto à Casalago Records
limmbo é Enzo Borges, músico santista de 25 anos que começou a compor aos 12, antes mesmo de saber os acordes básicos do violão. Seu rock alternativo e indie dialoga com Paramore, Fall Out Boy, The Cure, Beabadoobee e Fresno, em letras sobre ansiedade, sexualidade, autoimagem, amadurecimento, identidade e amor.
Antes do novo nome, o artista lançou o EP A Few Thoughts in a New Year’s Eve (2019), o álbum nineteen (2021) e i care about what you think of me (2025). O clipe de “dancing with wolves”, deste último trabalho, foi selecionado para a Mostra Videoclipe Caiçara do 23º Curta Santos. Adotado em 2026, com a entrada na Casalago Records, o nome limmbo estreou em setembro com o single “glitter eyes”.
“Sempre fui muito sonhador e imaginativo, e sentia um intenso senso de conforto em ‘lugares-não lugares’, como estradas ou aeroportos”, diz limmbo. “Duas coisas que soam contraditórias podem coexistir ao ponto de virarem uma só. Sempre me vi como a prova viva disso, e sinto que isso se reflete no meu trabalho.”
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