Booze & Glory (SP)
"Mesmo com um show mais direto, o evento foi repleto de mensagens políticas pela luta antifascista e consciência de classe. Seja aqui ou na Inglaterra, é de braços dados e suor no rosto que fazemos a diferença enquanto precisamos colocar o pão na mesa ou entoar canções que nos trazem alívio pelo entretenimento".
Texto por: Nat Malini - @eitaqfome
Fotos por: Raíssa Corrêa - @showww360
Agradecimentos: New Direction Productions, Tedesco Mídia
Agradecimentos especiais: Rarozine (@rarozine)
Na calçada em frente ao Hangar 110, no último sábado (28/02) acontecia algo curioso a quem estava só de passagem. Pessoas com camisas de times de futebol diversos se reuniam para uma cerveja e conversas amistosas. Afinal, qual time estava jogando nesse dia? Não importa, o predominante nos uniformes era o West Ham, time de futebol londrino queridinho da banda Booze & Glory que fazia seu retorno ao Brasil.
Devido a um atraso de voo dos britânicos que estão em turnê na América Latina, a casa de show abriu um pouco mais tarde do que o programado e mesmo assim as bandas de abertura aqueceram o gogó e a energia dos espectadores ansiosos.
Boinas molhadas pela chuva reverenciam a abertura do evento com a banda antifa representando o punk nacional,
Faca Preta. Com letras sobre política e nossa cruel cidade de São Paulo, a banda compartilhou com os espectadores seu último EP “Fogo no Sistema” além de outras composições que nos trazem para realidade brasileira. Nos presenteando com um cover ilustríssimo de “We’re Coming Back” do
Cock Sparrer. E para quem já acompanha a banda, que é cada vez mais ativa e consagrada na cena, o show foi encerrado por um esperado quentinho no coração: o momento em que
Fabiano chama seu filho
Breno ao palco para compartilharem os vocais. Com direito ao crowdsurfing do pequeno, que traz a sensação de que existe cuidado e esperança aos pequenos punks que vêm por aí.
A casa de shows aos poucos foi se enchendo de ainda mais fãs que vieram de diversas cidades com caravanas para prestigiar o punk dos ingleses em sua segunda vinda ao Brasil. Membros de outras bandas que os tomam por inspiração e ouvintes que cobraram a conexão nesse retorno tão esperado.
A segunda banda a subir no palco foi a
88Não! que pareceu começar tímida mas surpreendeu o público ao trazer duas participações especiais ao palco com instrumentos de sopro de membros da
Gritando Ska! e
Magno Nunes
(vocalista da banda Rosa Tigre). Letras críticas do punk suburbano do abc paulista, a banda ferveu ainda mais as rodinhas, agora um pouco maiores.
Se o Hangar tivesse uma arquibancada e copos de 700ml de cerveja, seria um cenário quase perfeito para ilustrar o coração de um show da Booze & Glory, que com um pouco mais de atraso, finalmente subiu ao palco pra nenhum respiro do público. Em suas primeiras notas, a galera gritou, pulou e cantou junto a plenos pulmões. Esperava mais banhos de cerveja do público animado, mas o que tivemos desde a primeira música foram mais e mais pessoas subindo ao palco, cantando um pouquinho junto aos músicos e pulando de volta na galera.
Muitas músicas escolhidas para o setlist pareciam de fatos hinos de torcida organizada. Além das camisas, bandeiras de time do West Ham ilustraram a vibe britânica (mesmo com a galera gritando em português pedindo por palhetas e baquetas dos músicos).
Ainda que com foco em seu último álbum Whiskey Tango Foxtrot (2025), a banda proporcionou vários hinos de sua carreira desde “The Day I’m in my Grave” na abertura, a união dos ouvintes em “Boys Will be Boys” e a invasão do público em seu auge desde os primeiros acordes de “London Skinhead Crew”, até completar a lista, fechando o show com “Only Fools Get Caught”.
Booze & Glory combina muito com nós brasileiros. Energia intensa, alimentada pela empolgação de quem escuta e pelo contato direto, mostrando que a música do street punk é sobre estar em união e proximidade. Cantando todos como um. Gritando juntos contra o fascismo. Ajudando a levantar quem não teve tanta sorte no mosh, e por que não na vida?
Mesmo com um show mais direto, o evento foi repleto de mensagens políticas pela luta antifascista e consciência de classe. Seja aqui ou na Inglaterra, é de braços dados e suor no rosto que fazemos a diferença enquanto precisamos colocar o pão na mesa ou entoar canções que nos trazem alívio pelo entretenimento.
Um dia para sairmos todos do Hangar suados, cansados, porém energizados e prontos para o próximo. O streetpunk e a luta seguem vivos.
A realização ficou por conta da NDP - New Direction Productions em parceria com a assessoria Tedesco Mídia.
Setlist Faca Preta
- Resistir
- São Paulo
- Donos do Futuro
- O Caminho das Ruas
- Coração Libertário
- Fogo no Sistema
- We’re Coming Back (cover de Cock Sparrer)
- Cães de Rua
- Dias Melhores
- Lutando de Braços Cruzados (com Breno)
Setlist 88não!
- Bairro Pobre
- Agitar (Get Up)
- Nossa História
- Canto pra Morar
- Pouco Me Sobrou (com Magno Nunes)
- Espelho (com naipe de metais: Valdir Loge, Rafael Klem e Raphel Oliveira)
- Melhores Dias (com naipe de metais: Valdir Loge, Rafael Klem e Raphel Oliveira)
- Rock de subúrbio (Garotos Podres cover; com naipe de metais: Valdir Loge, Rafael Klem e Raphel Oliveira)
- Espadas e Serpentes (Espadas y Serpientes) (cover de Attaque 77)
- Anjos Clandestinos
- Nativos Esquecidos
- Hotel Monbar (cover de Kortatu)
- Beber
Setlist Booze & Glory
- The Day I’m in My Grave
- Leave the Kids Alone
- Ticking Bombs
- Days, Months & Years
- Down and Out
- Raising the Roof
- Carry On
- Swingin' Hammers
- Brace Up
- C’est la vie
- Mad World
- Boys Will Be Boys
- London Skinhead Crew
- Rocky Road
- Blood From a Stone
- Three Points
- The Streets I Call My Own
- Only Fools Get Caught


